sábado, 13 de junho de 2009

Árvore

E eu fiquei a imaginar uma árvore, arvore grande, objeto pesado, objeto precioso que a natureza gerou, que se transforma e se pesa com o passar do tempo. Fiquei a imaginar suas ondas, suas formas, seus cantos, seus gritos, gemidos e medos profundos. Fiquei a imaginar traços, rabiscos, desenhos, animais e seres inanimados num constante sobe e desce.
E as formigas? Quantos encontros, quantas despedidas, quanto desce e sobe! E eu me imagino bem em baixo dessa árvore, que me ampara de um sol escaldante, que me rende um vento que se torna meu lençol invisível, que faz apagar aquele som horrendo que vem dos centros, das massas, dos barulhos maciços e maquinados.
Fico ali só, correndo das pessoas e tentando evitar uma solidão sólida. Tentando evitar que eu fique sozinho, sozinho apenas: sem meus pensamentos, sem minhas dúvidas, sem a presença verde, sem o barulho das águas, sem os animais, sem os seres e o tempo.

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