segunda-feira, 2 de maio de 2011

Alguém aí tem saco para ir à missa?


Ah, como é bom rever os amigos! Principalmente aqueles que a gente gosta de conversar sobre projetos e trabalho. Fui à missa na cidade natal como ritual de cristão-católico que sou, herança de uma família religiosíssima. Mas, definitivamente, a igreja não é o melhor lugar pra eu rezar. Olho para os candelabros do teto, para os quadros da capela, para os vitrais da janela, para a sujeira no canto da porta, para os santos esculpidos do altar, para os insetos que pairam nas flores, mas não consigo ter concentração alguma para ouvir as palavras da missa. Meu Deus! Que pecado! Será? Será pecado demais ter mais paciência de orar recluso? Na cama? Antes de dormir? Será pecado querer sempre bem aos outros (muito mais até do que ferrenhos católicos), porém ter pouca paciência para orar repetitivamente numa igreja lotada?

É sempre assim: em casa, às vezes, há momentos sem inspiração. Mas na missa ou em qualquer outro lugar que seja em que o silêncio é regra básica, pronto! Surgem mil ideias! E o que a gente menos pode fazer nestes locais é se movimentar.

Muito me incomoda ficar parado ou em silêncio por muito tempo. Pensar sem falar e, principalmente, sem escrever é perturbador. Graças a Deus inventaram o celular onde a gente pode escrever os pensamentos e arquivar. Ai de mim sem um rascunho de papel e um lápis escondido no fundo do bolso da calça! Seria refém de uma missa monótona, numa cidade tradicional.

Na missa de ontem encontrei com um amigo. Ele faz Direito no Rio e também havia vindo para a cidade natal durante este feriado. (É este mesmo amigo que gravou comigo aquele vídeo que fiz pro ASD - Aguinaldo Silva Digital (site)). Conversamos sobre tudo na missa, desde política e orçamento de projetos que estamos inscrevendo em editais (sim, dependemos de editais!) até o preço de uma trufa de maracujá da Cacau Show. No final dissemos:

- Deus nos perdoe!

E tenho certeza absoluta que perdoará, pois o Deus (que eu acredito existir) é muito complacente e entende, perfeitamente, as nossas inquietudes. Sabe muito bem que estamos sonhando e pensando o melhor pra nós e para os outros que, como nós, anseiam ser mais do que um ser humano comum nessa terra. Sabe que a amizade e que a união de ideias e projetos podem, sim, fazer a diferença nesse mundo tão excludente e injusto.

Que Deus nos abençoe!

Amém!

Rock in Rio? Vá com Deus!


Acho que não somente os sonhos, mas diversas outras ações cotidianas são importantíssimas para denunciar traços marcantes da nossa personalidade. É sempre comum, por exemplo, eu opinar e tomar posições contrárias às da maioria. Taxam-me de estranho, invertebrado, fútil, polêmico. Por isso, às vezes, tenho a sensação de ser uma exceção no todo. Só que adiante percebi que o meu todo era limitado e que exceções existiam em todo o lugar. E mais: elas (as “exceções-humanas” – se é que posso assim denominar) podem criar movimentos, unir e compartilhar opiniões via internet em comunidades virtuais e etc.

E o que isso tem haver com responsabilidade?

Acredito muito no poder dessas “exceções”. As “exceções” geralmente são engajadas em uma causa, são apaixonados pelo trabalho e pela profissão. Acredito que esta seja a resposta para aqueles que primam pela responsabilidade e fazem valer todo o suor do trabalho. As exceções (acredito eu) dão conta do recado porque sabem que se diferem da maioria. São apaixonadas pela carreira e são capazes de falar sobre trabalho em qualquer lugar. Muitas vezes são ainda taxados de tristes. Sim, julgam-nos tristes e solitários apenas por optarmos ficar em casa curtindo um lugar-bucólico-tranquilo e falando ou escrevendo sobre trabalho!

Falar e pensar em trabalho e naquilo que nos retroalimenta não é uma fuga, mas uma opção. Alegria temos sim: e de sobra! Mas liberamos todas as energias num papo agradável, ao som de uma música idem num lugar que, embora não seja o mais agradável, saúda amigos que vão compartilhar contigo desejos de projetos futuros, ambições e histórias engraçadas e emocionantes. Essa, para mim, é a essência da vida.

Perder meu dinheiro, meu tempo e minhas energias numa boate quente ou num show de rock não me deixaria nada, nada feliz. Penso que o tempo deva ser aproveitado com aquilo que você gosta, com aquilo que você curte independentemente se vão lhe considerar um ser humano isolado da humanidade. Ser humano é reconhecer que outras pessoas são movidas por criatividade e uma hiperatividade incomum que emana todos os dias do peito. Aquilo que se chama trabalho também exige muito daquilo que se chama respeito.

Prefiro ver e sentir amigos meus compartilhando comigo uma efervescência de acontecimentos e de projetos do que ligar para um outro conhecido e percebê-lo sempre disponível, vago, louco para que o horário do serviço chegue ao fim.

Não quero, jamais, fazer aqui uma discriminação grosseira quanto aos gostos de cada um. Querer se acabar na bebida num churrasco com amigos não é do meu feitio, mas não posso negar que é uma opção que muitos consideram interessante e fazem disso um ritual sagrado. Feriados e dias de sextas-feiras são dias de prato cheio. Numa empresa, por exemplo, quando o horário de serviço chega ao fim há congestionamento no elevador. As exceções geralmente preferem as escadas. As exceções sempre acham que seus relógios estão adiantados demais, preferem adiantar o serviço, responder os e-mails, enfim. Acredito, portanto, que “as exceções” (ai meu Deus, será que usar essa palavra já é uma certa “discriminação”?) são muitos mais úteis à sociedade que, hoje, carece sim de gente competente e esforçada, que faz muito mais por si e pelos outros tendo, é claro, paixão e prazer naquilo que faz.

Essas minhas impressões me levaram a crer que, aqueles taxados de “exceções”, “estranhos” e “solitários”, possuem um mundo a parte pra explorar. São estas mesmas exceções que no futuro (acredito) ocuparão cargos invejados por cervejeiros, cachaceiros e churrasqueiros. Essa é a minha explicação quanto à responsabilidade. Ela vem da excepcionalidade, do especial, do nu, do estranho, do bizarro, do solitário, do separado, do excluído.

São estas mesmas conclusões que, cada dia, me fazem ter mais pé no chão e força além da gravidade para continuar caminhando, ultrapassando barreiras preconceituosas, rótulos absurdos e críticas monstruosas. Acredito que tudo isso vem da danada da inveja que é forte em alguns sujeitos que percebem, só no final da estrada, o excesso de embriaguez e de tempo perdido a que ficaram sujeitos durante uma longa parte da vida. Sorry! Se somos nós a parte invertebrada da sociedade, carente e que precisa ser incluída, o que nos resta, apenas, é lamentar. O tempo, acredito, existe para ser aproveitado e curtido, sim, mas de maneira responsável e inteligente. E a humilde educação que tive até o momento não me permite considerar inteligente a infantilidade de alguns jovens que chamam de curtição a orgia e a bebedeira desenfreada.

Sou mesmo diferente, pois as tentativas de socialização em farras foram sempre malsucedidas. Acho bebida um saco, o cigarro um porre e, aqueles seres se “auto-destruíndo”, extremamente infantis. Ok. Reconheço: faltou mais um adjetivo dentro do pacote. Além de estranho, fútil, solitário e triste: sou, segundo alguns, careta. Já sofri bastante com muitas das minha posições aqui defendidas. Muitas vezes entristeci-me ao encontrar pessoas que eu admirava fumando e bebendo horrores numa festa. Mas refleti bastante e sei que hoje, uma coisa não exclui a outra. Sei que existem pessoas inteligentíssimas, que sonham, que projetam e que trabalham, mesmo curtindo a vida adoidado nas noites folgadas. O que defendo aqui é apenas a posição e a opção de alguns que preferem ficar em casa curtindo e aproveitando o tempo de outra forma.

E enquanto muitos estarão louquíssimos no Rock in Rio 2011 eu estarei, se Deus quiser, rumo à Bienal do Livro ou num outro evento cultural, ou no cinema, ou com a namorada, ou conersando com os meus amigos. Opção é o que não falta!

terça-feira, 29 de março de 2011

Lançamento do meu primeiro livro: Sorry, eu tenho e quero mais!

Foram meses e semanas de extremada produção. Decoração, iluminação, buffet. Tudo pensado com carinho e nos mínimos detalhes. Perguntam-me: Mas pra que tudo isso? Talvez seja a felicidade do primeiro, a emoção de um livro que parece o primeiro filho. A primeira festa, a primeira publicação. Passou. E foi ótimo, foi lindo. Falei além da conta, superei meus medos, frustrações. Homenageei meu avô, minha inspiração, a pessoa pra quem eu dediquei o livro. A data (26 de março de 2011) foi marcada propositalmente. Dia 25 meu avô, também escritor e poeta, completou 85 anos de vida. A homenagem, é claro, contou com os parabéns dos convidados e um bolo especial. Bom, quando apanhei o microfone, respirei fundo, pois sabia que muito do que ia sair da minha boca não ia agradar certas pessoas (incluindo o secretário de cultura do estado do Espírito Santo, prefeito e vice-prefeito da cidade que estavam presentes no local). Critiquei muito. Foram críticas e observações severas que, mais tarde, se repetiram entre os convidados do bate-papo que promovi com escritores locais. Posso dizer que foi uma festa, pois, quando comecei a autografar os livros de alguns convidados, recebi deles os “parabéns” pela coragem, pela ousadia. Compartilharam comigo a mesma opinião e disseram: “Muitos queriam dizer o que você disse”. Nunca imaginei que as pessoas tivessem tanto medo de falar o óbvio. Não tive medo. Não me deixei levar por discursos discriminatórios, não quis parecer simpático, agradecer a presença do secretário disso e prefeito daquilo. Foi como tinha que ser: polêmico. As pessoas se assustaram. A festa estava linda e fiz questão: imponência, flores, lustres (minha paixão), iluminação, telões de plasma, croquetes, vinho, enfim. Quis mostrar: olha do que ele é capaz. Cidade pequena, infelizmente é assim: se você não faz um convite lindo e não trabalha feito cão pra deixar uma festa parecer a mais rica possível, as pessoas não vão dar valor algum para o que você disser. Tolice? Sim. Podia eu fazer algo simples, mas quis fazer muito. Quis deixar as pessoas intimidadas e não deixá-las me intimidar. Secretário de Cultura do Estado chegou, agradeci a presença, me mostrou sua filha recém nascida e disse: “Olha a futura escritora”. Eu disse: “Okay, sejam bem vindos”. E saí. Importância a gente tem que dar pra quem precisa e, principalmente, pra quem merece a minha admiração. Reconhecer que você tem talento e, principalmente, reconhecer que você pode muito mais do que o outro é fundamental para reconhecer o que pode e o que precisa ser mudado na sociedade e na administração pública. Secretário de cultura local não compareceu, nem mesmo seu “capataz”. Mas eles já desconfiavam que iria dizer muito, muito do que estava engasgado, desde a época da problemática “Tenda Alternativa de Cinema” que queríamos montar no centro da praça da cidade e conseguimos, mesmo sob ameaças. O lançamento foi como eu queria: polêmico. Fiz um bate-papo com escritores para levantar, ainda mais, discussões. Queria que as pessoas saíssem do evento com pulgas atrás das orelhas, cochichos, comentários e críticas. Depois do evento me perguntaram: “Você não tem medo de uma contra-revolta?”. Dei gargalhadas. Se eu disse tudo o que eu disse naquele microfone é porque eu, definitivamente, percebi que não preciso mais da administração pública e nem mesmo de políticos para lançar e editar os meus livros, escrever as minhas histórias, fazer um teatro, gravar um filme. Tudo foi com dinheiro pessoal, com dinheiro de prêmios humildes que ganhei no ano passado. O dinheiro, agora, já acabou, mas a gama de ganhar outros prêmios continua. E, se alguns, pensam que acabou. Sorry. Está apenas começando! Para Julho estou preparando mais dois livros de ficção e um evento com mais atrações culturais na pequena cidade. Se a Secretaria de Cultura de Muqui não faz, eu faço. E, melhor, sem gastar nada, pois nenhum dos convidados para o bate-papo cobrou um só vintém. O microfone ganhei de cortesia de um amigo e o espaço é fácil de conseguir. Ou seja: não fazem nada porque não querem. Estão apenas acomodados com o dinheiro no final do mês. Nada muda. Se fizer um projeto, correr atrás e fazer eventos culturais o dinheiro continuará o mesmo que se não fizer absolutamente nada. Depois da festa, percebi nas pessoas comentários, elogios e críticas que me fizeram respirar fundo e agradecer a Deus este grande dia.





















terça-feira, 15 de março de 2011

O inquieto, o versátil e o multifacetado como novo modelo de profissional.


Eu achava ser comum essa dúvida que me atormentava no início do meu vestibular. O que prestar? Mas eu percebia que muitos sabiam exatamente o que queriam, ou, pelo menos, o que seus pais queriam: médico rico e, não necessariamente, famoso, mas formado e atuante. Talvez se essa, definitivamente, não fosse a vocação do filho, a segunda (talvez única) opção era o Direito ou a Engenharia. E temos aí três verbos que demandam poder: Salvar (medicina), Defender (direito) e Construir (engenharia).

Optar por Jornalismo foi uma decisão ousada. Na minha família pouco são os formados. Portanto, qualquer academia que fizesse seria bem quista e bem vinda pela minha família. Interrogado eu fui, claro. Estudei o meu último ano do Ensino Médio em colégio de rico. Lá 50% da turma era da medicina, 25 % era do Direito e 25% era da Engenharia. Eu não era porcentagem eu era a exceção. Mas eu sabia que também podia salvar e construir, tudo através do Jornalismo.

Mas por que pagar um colégio tão caro se o que ele quer é jornalismo? Se interrogavam alguns. Meus pais fizeram questão. Não ter passado no vestibular da UFES (a única faculdade federal do Espírito Santo – vergonha!) foi importante. Atravessar as fronteiras do estado e seguir para Ouro Preto me fez sair do quadrado e enxergar novas possibilidades.
Acho que desde sempre o cinema atraiu. E, com as novas possibilidades acarretadas pela tecnologia e pela globalização, eu pude, simplesmente, criar filmes! Eram amadores, mas eram meus e eram resultado de toda uma referência vinda da telenovela. Hoje, porém, já posso tecer críticas acerca da Tv.

A telenovela tenta ser a realidade, mas, muitas vezes, fracassa. Na tentativa criam alegorias humanas deturpadas. Ninguém é essencialmente o bom moço, ninguém é totalmente uma mocinha. A Tv, em alguns momentos, peca por não ousar, por não arriscar. Plastifica e cria modelos. Novela, muitas vezes, vira sinônimo de merchandising. Não se busca desalinhar o padrão praticamente industrial. Não defendo, aqui, o que eu poderia chamar de “socialismo teledramaturgico”. A qualidade jamais deve ser perdida, mas não custa nem um pouco investir em tramas severamente enraizadas na cultura brasileira, na realidade brasileira. Câmera na mão gente!

Interpelam-me: Mas ninguém gosta de cultura! Ninguém quer se ver na televisão! Medíocre são estes que acreditam ser a cultura, apenas aquilo que se digere no teatro e se reproduz em museus. A cultura talvez também seja o cotidiano das pessoas da favela carioca e a realidade está longe de ser algo difícil de ser digerido pela população. Se não há realidade, mesmo que um tanto fantasiada e maquiada (já que a cenografia é excelente e até o pobre tem casa modesta na Globo), o que se vê na TV? A novela, nada mais é, do que um Jornal Nacional destrinchado e encenado. O que não se deve perder nunca é o vínculo com o telespectador. E o telespectador não é somente a socialite. Muito pelo contrário. Creio que a maioria dos telespectadores advém da classe média. E já que essa é a classe que garante o sucesso da novela, que se invista, cada vez mais, no recorte de sua realidade, no estudo aprofundado de suas relações inter-pessoais.
Mas me volto ao título desta postagem: A inquietude e a versatilidade como tributos importantíssimos no mercado de trabalho. Conversando outro dia com um amigo Jornalista, ele me relatou o início da carreira como uma fase extremamente frustrante. Por gostar de escrever, dançar, interpretar etc, etc, etc, era, muitas vezes, criticado. Como pode ser um jornalista, se, ao mesmo tempo, faz centenas de outras coisas? Era essa a pergunta que permeava em seu meio de trabalho. Até pouco tempo, um profissional multifacetado, que tinha dom para ir além, não era o modelo querido. Privilegiava-se aquele que investia numa carreira, que sabia fazer uma coisa só e muito bem. Mas as coisas mudaram. Hoje em dia, há pessoas que fazem 10 coisas que resultam 10 coisas de sucesso!

O mercado de trabalho mudou. A globalização acabou exigindo um profissional que atendesse a diferentes demandas. Hoje, por exemplo, não se pode aceitar que um jornalista não tenha uma percepção mínima de crítica ao cinema, à telenovela, a arte. O profissional de hoje, seja ele engenheiro, advogado ou, até, médico, deve estar informado quanto às novas plataformas tecnológicas. Aqueles que se prenderam a máquina de escrever, sem acompanhar o crescimento absurdo da internet e das novas ferramentas como twitter, facebook, blogs etc, foram, literalmente, passados para trás.

Chegar a essa conclusão que, desde já afirmo ser pessoal, me fez bem. Além da dúvida que permeara a época de vestibulando, há a dúvida do mercado de trabalho: roteirista, produtor, diretor ou um mero redator que cumpre as tarefas e segue à risca todas as regras? O que eu quero é mais. Se há um curso referência em roteiros, dele vou me empenhar. Se há uma pós-graduação especialíssima no cinema, por que não me arriscar? Gostar de dirigir, escrever e produzir, não representa, para mim, um problema, mas uma solução. Se, numa produção, temos pessoas que curtem e que escrevem, estes vão possuir uma capacidade crítica aguçadíssima. Vão poder entender o processo no qual estão inseridos com muito mais clareza.

A fase do funil (aquela em que uma carreira vai predominar sobre as outras) é claro que vai acontecer, pois, afinal, temos que nos sustentar. Mas o que quero defender aqui é que, mesmo preso a certa profissão, nada te impedirá de, nas horas vagas, personalizar seu blog, construir uma crítica, usar o twitter, gravar um filme, escrever um livro. A repressão (espero eu) acabou! Por isso invista em tudo o que você sabe fazer. Não perca tempo. Leve um bloco de papel e caneta para a fila depressiva do supermercado e escreva, e crie, e produza. Quanto mais produzir, mais vai se enriquecer.

É estúpido acreditar que existem profissionais que chegam ao local de trabalho, cumprem todas as funções, desempenham corretamente todas as tarefas, mas que não saem do quadrado. É, mais uma vez, o medo de arriscar, o medo de sair do padrão, de se jogar. Mas até entendo. A necessidade de muitos por um salário, fez com que o fato de cumprir apenas as tarefas obrigatórias já fosse o suficiente, afinal, o valor do salário no final do mês seria o mesmo. Faz sentido? Faz. Mas se prender e acreditar que aquele será seu emprego para o resto da vida é, praticamente, se fadar ao fracasso.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Projac!

A primeira vez que visitei os estúdios e as cidades cenográficas da Rede Globo, a Central Globo de Produção em Jacarepaguá no Rio de Janeiro foi em meados de 2008, quando fazia a minha primeira oficina de vídeo no canal Futura. Confesso que, na época, havia me inscrito no projeto justamente por causa da visita ao projac: era o meu sonho!

Passados mais 2 anos voltei ao projac novamente acompanhando Mariana, minha namorada que também se inscreveu no projeto Geração Futura (a oficina que citei logo acima). Eu, que já era apaixonado pelo projac, passei a me apaixonar por Televisão, mais precisamente: o fazer televisão. A oficina me trouxe conhecimentos que, na época, foram riquíssimos para o meu crescimento. Hoje em dia, depois de ter feito as duas oficinas ao qual tinha direito (O "Geração Futura Ensino Médio e o "Geração Futura Universidades Parceiras" - uma como estudante do E.M. e outra como universitário) sei que, se eu quiser conhecimentos mais aprofundados sobre a área terei que me especializar em outras oficinas, em outros cursos, talvez, até, em outras graduações.

Em outubro de 2010, acabei juntando a galera da produção do filme "A Herança" (longa-metragem desenvolvido aqui em Muqui, gravado integralmente em câmeras digitais) para uma outra visita ao projac. Me deleitei mais uma vez com os cenários, com o acervo de figurinos! Nunca vou me cansar em passar por lá, admirar as construções, cada detalhe de cena, cada ilha de edição.

Agora, em 2011, fazendo a oficina para universitários, no qual fui representando a Universidade Federal de Ouro Preto, advinhem? Mais uma visita ao projac datada na programação da oficina, além de workshops com profissionais da tv como: Zeca Camargo, Luiz Henrique Rios, Cavi Borges etc.

Abaixo, algumas fotos da visita ao projac em fevereiro 2011. Espero que não seja a última!










terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Geração Futura Universidades Parceiras

Pois é, meus caros, mais um Geração Futura - Oficina de vídeo realizada pelo Canal Futura na Fundação Roberto Marinho no Rio de Janeiro. Dessa vez participei como universitário. Sim, o Canal Futura tem dois tipos de oficina: O Geração Ensino Médio e o Geração Universidades Parceiras, e eu tive a honra de poder participar das duas! Fui representando a UFOP, a universidade federal de Ouro Preto - Minas Gerais.

A diferença entre as duas oficinas é crucial: não apenas no conteúdo explorado pelos ministrantes dos workshops mas pelos participantes. Os universitários são muito mais sizudos. Se acham no direito de fazerem intervenções que, pra mim, soavam como preconceituosas e arrogantes. Mas, enfim, é a vida e o mercado de trabalho está cheio de peças e pessoas assim. Graças a Deus pude passar as duas semanas de oficina tranquilo, pois sabia que, embora tímido, estava bem a frente de muitos ali. Por que? Porque simplesmente enquanto todos preferiam correr pra Lapa numa sexta a noite, beber todas, fumar e festejar não sei o que, eu esperava, ansioso o encontro marcado com Aguinaldo Silva (autor de novelas da Tv Globo).

Nessa temporada no Rio, tive muitas provas de que estou no caminho certo, de que este mesmo caminho é tortuoso e complicado, cheio de remendos e peças importantes, mas que, é claro, temos que passar por todas as experiências. A experiência é ainda mais importante quando se trata do meio jornalístico no qual eu estou vinculado. É muito melhor falar de gente quando se conhece gente, é muito mais fácil falar de desafios quando se conhece muitos deles. Durante essas duas semanas no Rio vi pessoas que, sequer, passam ou passaram por problemas financeiros, e esse é um tipo de "problema" por qual todos deveriam passar. Quando se passa por dificuldade, quando se vence uma luta dá-se mais valor, escreve e cria com mais naturalidade e vivência.

Essas semanas de fevereiro que passeio no Rio ao lado de pessoas interessantes e profissionais ficarão guardadas aqui como experiência, como prova de aprendizado e fortaleza.

Durante a estadia no Rio, também tive a oportunidade de visitar as instalações do Projac - CGP, o grupo Afro-Reggae, a esposição "O mundo mágido de Echer" no CCBB, e alguns pontos turísticos famosos do Rio.

Algumas imagens da estada no Rio.




quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O que dizer? O que comer?


Foi tão natural que parecia irreal

Por dentro o coração batia forte, a-ce-le-ra-dís-si-mo. As mãos estavam frias, se perdiam entre as pernas tremulas ou entre os próprios dedos que se cruzavam. Ledo engano acreditar que posso aqui relatar sentimentos quase que indescritíveis. Não vou me arriscar.
O sábado era esperado com festividade e uma carga de responsabilidade absoluta: eu não podia errar, não podia exagerar, não podia me perder em minhas falas. Enfim. Anotei inúmeras perguntas para o que, a principio, era apenas uma entrevista informal. De todas as perguntas: fiz nenhuma. Eu não precisei delas. Aguinaldo Silva me transmitiu muito mais que respostas, me transmitiu confiança. Um olhar que não se perdia, uma voz que narrava histórias com uma leveza e humor dignas de um criador apaixonado. É isso que és Aguinaldo: um criador apaixonado, um inquieto, um observador. E quando se confia não há motivos para fazer perguntas mirabolantes.

Por vezes me acho "pra frente", por outras me vejo "pra tras". Muitas vezes não falo aquilo que "acho que deve ser dito". E outras tantas vezes falo aquilo que "nunca devia ser dito". Parece complicado? Pois assim sou. Como Aguinaldo, sou inquieto. E não paro. Sonho demais e por isso não me frustro: Se um sonho se dissolve, tenho outros. Se meus planos saem dos trilhos, se algo não dá certo: tenho outras cartas na manga, um Plano B que sempre resolve. Os casos e acasos da vida (os problemas na família) podem, sim, ser fatores cruciais no desenrolar dos projetos, mas me inspiro em tudo. Na mãe, no pai, no outro, no verde, no mar, na gente. Na gente brasileira, na cor, no som.

Me encontrar com Aguinaldo (e também Patrício), foi incrível. E naquele instante (o instante do jantar) tinha eu, inúmeros amigos, uma cidade de aprox. 13 mil habitantes que pensava em mim, uma namorada que orava para que tudo desse certo. E deu? Não sei. O que era mesmo para ter dado certo? A conclusão do jantar foi a seguinte: preciso crescer com dignidade, bom humor e crítica. Aguinaldo Silva mostrou, com honestidade e uma clareza ímpar a sua impagável humildade. Me deixou a vontade e eu falei. Falei mais do que eu poderia imaginar. Ouvi também, ouvi coisas que guardarei pra sempre e minha retina captou momentos únicos, risadas gostosas e conselhos preciosos.

Por instantes me vi perdido. Como me comportar frente a um Mestre da teledramaturgia? O que vou comer? Será mesmo que eu preciso comer? Eu queria aproveitar todo o tempo. Inclusive o tempo da comida. Não podia perder nenhum segundo. E, acreditem, usei todos eles. O que ouvi de Aguinaldo e Patrício me emocionaram. Mas eu também, além de não poder errar, também não podia chorar. Chorar? Talvez pudesse, mas que gafe! Não chorei. Mas os olhos se encheram d’água. Elas, porém, evaporaram em questão de segundos As histórias que eram contadas, os casos relatados e o ritmo da conversa, além de passar confiança, me passava uma força absoluta. E quando se está forte, pra que chorar? E Aguinaldo parece ser daqueles que, quando vê uma lágrima diz logo: “Cabra frouxo! Enxugue o rosto e continue escrevendo, sonhando. Pois novela (ou qualquer outro produto audiovisual que seja) é trabalho pra macho suar e não chorar!”. Estou certo?

A inquietude estava fora do comum. A naturalidade do encontro me pasmava. Aguinaldo falava com muita propriedade de um universo que parecia muito longe de mim. De repente estava frente a frente com ele, autor de novelas, o cerne, o ponto de partida e o ponto final, o que assina, o que compromete, o que enquadra. Me senti mais dentro de um sonho possível do que possam imaginar. E me senti realizado.Mas não paro. Guardarei o momento pra sempre, mas a vida continua, os sonhos me consomem, tenho planos e pesadelos. E eu quero mais, quero muito mais que essas oficinas que tenho feito podem me proporcionar. Acho tudo limitado, quadrado, incompetente. Quero ter a força e a genialidade de saber lidar com os sonhos e os planos. Ter metas e atingi-las mesmo sob lágrimas e suor. Quero escrever, quero produzir, quero movimento, Master Class, som, roteiro, luz, ação!

Saí do encontro revigorado. Corado de energias e pronto para continuar a caminhada que, eu sei, está apenas começando.